Brasil Planejamento regional 1990 em diante
Anos 1990 em diante
Reestruturação produtiva a partir do ideário toyotista e das políticas neoliberais
Processo de privatização dos anos 1990 (CSN, Vale, Petrobrás, Eletropaulo (hoje AES Eletropaulo) etc.).
Desindustrialização, em parte, decorrente das políticas de combate a inflação baseada em taxas de juros elevadas.
Maior presença do capital transnacional (Walmart, Casino, Honda, Toyota, etc.).
Desenvolvimento de tecnopólos (Campinas, São José dos Campos, etc.).
Dificuldades de competição com a China e países desenvolvidos, falta de Know-how, (investimento em P&D)
Desconcentração industrial na Região metropolitana de São Paulo
Para Sandra Lencioni (1994) a “dispersão espacial da indústria” da capital paulista para o interior” ganha impulso nos anos 1970, sendo intensificada nos anos 1990.
Apesar dessas mudanças São Paulo mantém sua centralidade, essa, todavia, não se relaciona mais a concentração industrial, mas sim a concentração financeira e a capacidade de gestão do capital.
Para Milton Santos e Maria Laura Silveira (2008, p. 269).“A cidade de São Paulo continua sendo, nesse novo período, o polo nacional. Todavia enquanto ascendem as atividades terciárias e de serviço, a indústria continua crescendo em terras paulistas, embora sua velocidade seja menor. São Paulo mantém sua posição hierárquica sobre a vida econômica nacional. Se ela perde relativamente o seu poder industrial, aumenta o seu papel de regulação graças à concentração de informação, dos serviços e da tomada de decisões”.
Guerra dos lugares ou Fiscal
Disputa entre cidades no intuito de atrair empresas com base na vantagem do incentivo público (doação de terrenos, isenção de impostos, construção de infraestrutura etc.). Com isso desenvolve-se a corporatização do território, uma vez que o Estado coloca-se a serviço das empresas a partir de pertenças promessas de benefício de todo município para o qual dirige-se as empresas.
[...] Nos lugares escolhidos, o resto dos objetos, o resto das ações, e, enfim o resto do espaço, tudo isso é, assim, chamada a colaborar na instalação da montadora; e tudo é permeado por um discurso sobre desenvolvimento, a criação de empregos diretos e indiretos, as indústrias de autopeças, a exportação. Nada se fala sobre a robotização do setor, a drenagem dos cofres públicos para o subsídio das atividades, a monofuncionalidade dos portos e de outras infraestruturas, os royalties e o aumento da dívida externa, a importação de peças e de veículos completos (SANTOS; SILVEIRA, 2008, p. 112-113).
Governo FHC (1995-2002)
Estabilização econômica (Plano Real)
Privatização
No governo Itamar, vice de Collor, a equipe econômica conduzida por FHC emplaca um projeto de controle de inflação mais exitoso. A ancoragem cambial com a valorização do real em relação ao dólar estabilizar a inflação. O ajuste fiscal levado adiante no governo após a eleição de FHC, as privatizações, a implementação da Lei de responsabilidade Fiscal, a criação das agências reguladoras, o arroxo salarial, foram outras medidas que somadas permitiram a estabilização da economia. Entre as consequências negativas desse processo encontra-se os déficits da balança de pagamento devido a maior facilitada para importação, a redução dos empregos da indústria em decorrência de reestruturação e falências fazem parte desse cenário.
Governo Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016)
Durante os governos do PT nota-se uma retomada do planejamento do país, a partir dos investimentos estatais. É indicador dessa mudança o forte investimento do BNDES em setores considerados dinâmicos e chaves para economia (petróleo, eletricidade, construção civil e agropecuária). Objetiva-se com isso ampliar o crescimento do país levando sua projeção internacional de forma competitiva. Tal preocupação levou Armando Boito Junior a classificar os governos do PT de neodesenvolvimentista de caráter neoliberal. Cabe atentar a preocupação desse governo reduzir as disparidades sociais, historicamente marcantes no país, a valorização do salário mínimo acima da inflação e o maior investimento em programas sociais foi persistente durante os governos Lula e Dilma. Obs.: a crise econômica externa (2008) e a instabilidade política do governo Dilma marca um período de retomada das desigualdades sociais no país.
Ferrovia Norte e Sul (em construção)
Transposição do Rio São Francisco (em fase de finalização)
Usina hidrelétrica de Belo Monte
Pré Sal
Pontos da atualidade
A economia brasileira torna-se mais internacionalizada.
Cresce a desindustrialização e a dependência externa.
O amplo processo de privatização não garantiu maior competitividade do Brasil.
A ampla reforma trabalhista (governo Temer) baseada na flexibilização dos contratos de trabalho elevou a insegurança no emprego e não garantiu abertura de novos postos de trabalho.
O planejamento de longo prazo sede lugar as propostas de intervenção setorial conduzidas pela iniciativa privada com financiamento do Estado. Predomínio da visão liberal.
As disparidades regionais permanecem no território brasileiro cuja marca é a concentração da produção riqueza e renda no Estado de São Paulo.
Bibliografia
LENCIONE Sandra. Reestruturação urbana-industrial no Estado de São Paulo: a região da metrópole desconcentrada. In. SANTOS, M., SOUZA, M. A. de e SILVEIRA, M. L. Território: globalização e fragmentação. São Paulo: Anpur-Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton. SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2008.
CANO, Wilson. Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil. 3º ed. São Paulo: UNESP, 2007.
MAMIGONIAN, Armen. O Processo de Industrialização em São Paulo. In. BPG, 1976 Nº 50.
PRADO JÚNIOR, Caio. História econômica do Brasil. São Paulo: Editora brasiliense, 2012.