Industrialização brasileira
Proibição:
Pacto colonial (exclusivismo do comércio com a metrópole)
Alvará de 1785 a coroa portuguesa proibi a implantação da indústria no Brasil
Exceção: indústria artesanal rudimentar: olarias, marmoraria e indústria têxtil (de panos rústicos destinados a sacos e roupas de escravos).
“Temendo por políticos o desenvolvimento da indústria colonial, e alarmada também com a concorrência que iria fazer ao comércio do Reino, a metrópole manda extinguir em 1785 todas as manufaturas têxteis da colônia com exceção apenas das de panos grossos de algodão que serviam para vestimenta dos escravos ou se empregavam em sacaria” (PRADO JUNIOR, 2002, p. 76).
Quebra do pacto colonial
Chegada da família real; abertura dos portos – 1808; revogação do alvará de 1785
“Com a abertura dos portos brasileiros e a concorrência estrangeira, sobretudo inglesa, contra que Portugal não se achava em condições de lutar, estava abolido de um golpe o que havia de realmente substancial na dominação metropolitana. Daí por diante esta se pode considerar virtualmente extinta” (PRADO JR, 2012, p. 92).
Implantação da indústria - final do séc. XIX até 1933
Capital acumulado com o tráfico de escravos
Contribuição da economia cafeeira: capital, criação de infraestrutura, formação de mercado de consumo, mão de obra (especialmente de imigrantes europeus não portugueses, como os italianos).
Destaque para Indústria de bens de consumo: têxtil, bebidas, sapatos, oficinas de concertos e reparos de máquinas, indústrias de reposição de peças e equipamentos importados (CANO, 1985).
“A esmagadora maioria dos europeus emigrantes eram lavradores que perderam suas terras e que tentavam a retornar à condição de proprietários rurais. Essas partidas maciças esvaziaram a vida econômica de inúmeras regiões agrícolas, estimulando nelas saídas de artesãos, operários e pequenos empresários que vieram refazer suas vidas nas áreas de imigração. Da cidade de Milão saíram entre outros R. Crespi, representante comercial de tecidos; A. E. Romi, operário em fábrica de elevadores; G. Rabioglio, técnico na Brow-Boveri, etc. As perseguições étnicas na Europa Oriental provocaram as saídas dos Klabin, comerciantes de papel da Lituânia; P. R. Robell, diretor de fábrica de artigos de borracha em Budapeste; D. Kopenhagen; M. Schwqrtzmann, etc” (MAMIGONIAN, 1976, p. 90;91).
Processo de industrialização ganha forma 1933-1955
Era Vargas Getúlio
Desenvolvimento da indústria de base:
• 1941 - Siderurgia – CSN em Resende no RJ; 1953 - COSIPA em Cubatão -SP
• 1942 – Fábrica Nacional de Motores - FNM (fabricou motores de aviões, caminhões e carros. Produziu carros (alfa romeu em parceria com empresa italiana e caminhões o famosos FNM).
• 1942 - Mineração – Vale em MG
• 1943 - Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (organizou a legislação trabalhista anterior dando caráter de Lei Federal)
• 1945 - Energia – Criação da Companhia hidrelétrica do São Francisco - Chesf e da usina de Paulo Afonso na BA.
• 1952 - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. – BNDE (Hoje BNDES)
• 1953 - Petroquímica – Petrobras
“A rigor, de 1933 a 1955, ela será uma industrialização restringida, dadas a incipiente produção nacional de bens de produção e a continuidade, em grande parte, da dependência do setor primário--exportador em determinar a capacidade para importar aqueles bens” (CANO, 2007 p. 50-51).
Características gerais:
Desenvolvimentismo como forma de romper a desigualdade centro-periferia presente na deterioração dos termos de troca problematizada por Raúl Prebisch.
Estratégia: Industrialização a partir da substituição de importações
Influência keynesiana do pensamento da CEPAL – Comissão Econômica para América Latina e Caribe
Teóricos: Maria da Conceição Tavares, Ignácio Rangel e Celso Furtado (Brasil); Raul Prebisch (Argentina).
“Retomemos alguns fatos do imediato pós-guerra. Em nível internacional, a Cepal advertia o mundo subdesenvolvido para o enorme e crescente hiato entre as nações ricas e pobres, em face dos resultados da forma do sistema de divisão internacional do trabalho, via relacionamento “centro–periferia”, com o que, se não fossem tomadas medidas urgentes e concretas, “as nações ricas tornar-se-iam cada vez mais ricas e as pobres, cada vez mais pobres”. Surgiu então, da escola Cepalina – a quem todos nós, latino-americanos, tanto devemos –, a proposta de uma industrialização (substituidora de importações), para se deter a marcha da crescente deterioração.” (CANO, 1985, p. 20)
Juscelino Kubitschek 1956-1960
Plano de metas (50 anos e 5). O plano possuía 31 metas
- Construção de Brasília, inaugurada em 1960. Arquiteto Oscar Niemeyer e urbanista Lúcio Costa
- Criação das superintendências de desenvolvimentos (SUDENE, SUDAM, etc.).
- Abertura do país para entrada de multinacionais (Volkswagen, Fiat, Ford e GM). Grupo GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística
- Criação das Superintendências de Desenvolvimentos do Nordeste - SUDENE.
- A SUDENE estimulou o desenvolvimento da região nordeste e suscitou um debate robusto sobre a importância do planejamento regional no país.
- Celso Furtado, destaca-se na condução dos trabalhos da Sudene durante o governo JK. Foco: desenvolvimento industrial e investimentos sociais no intuito de romper com a política hidráulica que alimenta a indústria da seca.
Período militar 164-1985
O desenvolvimento marcado pelo forte investimento Estatal o que demonstra a influência das ideias keynesianas que destacam a influência do Estado como indutor do crescimento.
Modernização conservadora - manutenção das desigualdades sociais e de renda.
“O golpe militar de 1964 [...] repõe integralmente a concepção autoritária que identifica o Brasil com o seu território. A Doutrina de Segurança Nacional, que a fundamenta, cabalmente expressa o entendimento ao qualificar o cidadão brasileiro contrário à ditadura como o 'inimigo interno', que põe em risco a integridade e a soberania do país" (MORAES, 2002, p. 126).
Após a crise do petróleo de 1973, o planejamento estatal regional passa a ser expresso nos “Polos de crescimento”. O Estado almejava que o dinamismo dos “Pólos de crescimento “ fosse irradiado para outras áreas. De inspiração teórica do economista François Perroux era formado por áreas industrias criadas pelos incentivos do Estado. Com isso, os investimentos do Estado da escala macrorregional é direcionado para escala sub-regional.
Polo petroquímico/industrial de Camaçari 1978 (BA)
Zona franca de Manaus (AM)